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Sobre saúde

Alimento ultraprocessado afeta saúde de crianças e gestantes

Todas as pessoas estão sujeitas a terem a saúde afetada por esse tipo de alimento, afirma especialista

Por Redação 05/09/2022 15h03
Alimento ultraprocessado afeta saúde de crianças e gestantes

Os alimentos ultraprocessados, como a salsicha, biscoito recheado, refrigerante entre outros, estão cada vez mais presentes na alimentação dos brasileiros. Porém, esses mesmos alimentos, devido à sua composição, são prejudiciais à saúde e podem contribuir com o desenvolvimento de doenças cardiovasculares, por exemplo, que estão entre as maiores causas de morte no Brasil e no mundo. Para contribuir com a saúde e melhora na qualidade de vida, nutricionistas indicam a ingestão de alimentos in natura e minimamente processados, como frutas, legumes e grãos.

Segundo a Avaliação Nutricional da Disponibilidade Domiciliar de Alimentos da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2017/2018, divulgada em 2020 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a aquisição no Brasil de alimentos ultraprocessados subiu de 12,6% para 18,4% nos últimos 15 anos. Já a aquisição de alimentos in natura ou minimamente processados diminuiu, no mesmo período, de 53,3% para 49,5%.

“Os alimentos ultraprocessados são pobres em vitaminas, minerais e fibras, na grande maioria das vezes. Eles receberam a adição principalmente de sódio, para aumentar o tempo de conservação, e de outros estabilizantes, às vezes gordura trans e produtos químicos. Para a saúde do indivíduo, eles acabam sendo extremamente deletérios, justamente por essa composição”, conta a nutricionista e docente da Unit/AL, Danielle Alice.

A nutricionista destaca que o consumo de ultraprocessados está associado, além das doenças cardiovasculares, ao diabetes, obesidade, hipertensão, além de vários tipos de câncer e alterações no trato gastrointestinal, como a esofagite e a gastrite.

“O consumo de ultraprocessados vai trazer efeito deletério em qualquer público, mas, se a gente for estratificar grupos de risco, o público infantil é aquele onde o consumo tem favorecido as taxas de obesidade. Além disso, há crianças que já apresentam doenças como diabetes tipo 2, hipertensão e outros problemas cardiovasculares. Outro público de risco são as gestantes, já que o consumo de ultraprocessados pode aumentar o risco de desenvolver eclâmpsia e diabetes gestacional. Além desses grupos, há ainda o portador de algum agravo crônico”, aponta.

Para evitar esses alimentos, a nutricionista compartilha algumas dicas: tomar consciência sobre os perigos desses alimentos; dar preferência aos alimentos in natura e minimamente processados; observar a lista de ingredientes dos alimentos não-naturais, pois, se há nomes desconhecidos, há chances do alimento ser ultraprocessado; e comparar o custo-benefício da aquisição de alimentos in natura e minimamente processados com os ultraprocessados.

“Por exemplo, no refrigerante você vai pagar de R$8,00 a R$9,00 numa porção de dois litros, quando com quatro polpas de fruta ou cinco, com investimento de R$5,00, você vai fazer dois litros de suco. E se for usar uma fruta, como um abacaxi, de R$ 3,00 ou R$4,00, você vai conseguir também fazer o mesmo volume de suco. Então, às vezes não é só uma questão do preço”, reforça.

Para tentar economizar na compra de alimentos, a nutricionista ainda orienta que as pessoas busquem fazer compras em feiras livres, locais onde os valores dos alimentos costumam ser mais baratos. Ela ainda garante que para aqueles que desejam economizar ainda mais, a opção de ir à feira próximo ao horário do fechamento também é válida, já que os alimentos ainda estarão em boa qualidade, apesar de não ser a qualidade dos alimentos no começo da feira.

Ao se tratar de proteína, ela frisa que esses alimentos são encontrados com valores menores entre os ultraprocessados, mas são alimentos que fazem mal à saúde. Danielle Alice ensina que também é válida a ideia de fazer um frango ou carne renderem com a adição de legumes nos pratos que serão preparados. Outra dica da nutricionista é o uso integral dos alimentos, onde as cascas e talos, por exemplo, são adicionados em diferentes receitas, unindo economia, sabor e fazendo refeições com alto valor nutricional e rico em fibras.