Alagoas

ALAGOANOS NÃO ELEITOS

Políticos conhecidos ficam sem vaga em Brasília

Herdeiros políticos, ex-deputados e fenômenos eleitorais do passado perderam as eleições para deputado federal

Por Redação 04/10/2022 11h11 - Atualizado em 04/10/2022 13h01
Políticos conhecidos ficam sem vaga em Brasília

Votações inexpressivas ou falta de bancada tirou a vaga de vários nomes conhecidos na política alagoana

A ressaca eleitoral é amarga para os derrotados. Principalmente para aqueles que são ou já foram fortes candidatos em outras épocas. De aventureiros a veteranos, alguns nomes são bastante conhecidos pelo público alagoano. Mesmo assim não conseguiram atingir o coeficiente para carimbar sua passagem à Brasília.

Neste cenário se enquadra, por exemplo, o ex-ministro de Transporte e Aviação Civil, ex-deputado federal e ex-secretário de Estado de Infraestrutura Maurício Quintella. Apesar da boa votação, 34.097 votos, não obteve êxito no pleito deste ano.

Tereza Nelma
tentou repetir 2018, quando foi de azarão à deputada federal. Na época, poucos acreditavam na sua eleição em uma das disputas mais renhidas para a Câmara Federal. No último domingo (2), ela ficou com 24.722 votos, o que encerra seu ciclo na Câmara Federal sem ter a possibilidade de assumir o mandato na próxima legislatura, já que seu partido não conseguiu eleger um representante na bancada de Alagoas.

O agropecuarista Gilvan Barros, natural de Campo Alegre, proprietário de 42 fazendas declaradas no TRE, conquistou 53.732 votos, mas não conseguiu ser eleito. Ex-prefeito de Girau do Ponciano e ex-deputado estadual sempre foi bom de voto e cravou seis mandatos consecutivos no parlamento estadual. Já tinha até abandonado a política para se dedicar aos negócios no agro. Deixou a herança política para o filho que leva seu nome, Gilvan Barros Filho, que não o decepcionou: foi eleito pela terceira vez seguida à Assembleia Legislativa de Alagoas.


Rodrigo Valença passou oito anos como prefeito de São José da Laje. Apesar de ser maceioense, Rodrigo é um forte representante da Zona da Mata Alagoana e obteve 42 mil votos que serviram apenas para ajudar a eleger o ex-secretário Alfredo Gaspar de Mendonça.

Um dos autores do projeto de lei que trata da distribuição de absorventes na rede pública de ensino em todo país, Severino Pessoa é empresário, ex-vereador por Arapiraca, ex-deputado estadual e, atualmente, deputado federal. Ele teve apenas 32.508 votos e vai precisar fazer as malas em Brasília de volta pra casa.

A ginecologista Fátima Santiago exerceu cinco mandatos como vereadora de Maceió. Na última eleição municipal foi a segunda candidata mais votada em Alagoas e ficou como primeira suplente do PP. Fátima aventurou-se a uma vaga na Câmara Federal, mas os 9.841 conquistados não foram suficientes para alcançar a vitória.

Outro médico que amargou a derrota foi o Dr. JHC. Ele obteve 92.594 votos alicerçados pelo irmão, prefeito da capital, e pelo pai, o ex-deputado federal João Caldas.


O jovem agropecuarista Nivaldo Albuquerque teve 67.697 votos que não foram suficientes para lhe garantir o terceiro mandato consecutivo na Câmara Federal. É um dos herdeiros políticos do deputado estadual Antônio Albuquerque.

Eleito o vereador mais novo entre os homens no último pleito municipal da capital alagoana, o jovem João Catunda aventurou-se a uma vaga em Brasília. Conquistou 24.754 eleitores, número insuficiente para o vereador que se apresentava em sua campanha como o “Mais Econômico de Alagoas”.

Alves Correia
, de 60 anos, é o radialista mais famoso do Agreste alagoano e sobreviveu a um dos piores atentados ocorridos no Estado. Em 1993, após satirizar políticos em um show no interior, sofreu uma emboscada e levou nove tiros, seis deles no abdômen. O ataque projetou ainda mais a imagem do radialista junto à população pobre e, em 2002, ele foi o nono deputado estadual mais votado. Mas sua carreira política estagnou ali. A partir de então, perdeu todas as eleições que disputou. Os 6.229 votos que ganhou no domingo (2) comprovam que popularidade e voto nem sempre caminham juntos.

Flávio Moreno,
agente de Polícia Federal nascido na cidade do Rio de Janeiro, exerceu atividades nas fronteiras do país e se firmou em Alagoas em 2013. Em 2018, aventurou-se a um cargo ao Senado Federal que lhe rendeu surpreendentes 142.757 votos. Em 2020 tentou o cargo de vereador de Maceió, mas não conseguiu se eleger com 3.585 votantes a seu favor. Mesmo surfando na crista da onda do bolsonarismo, sua aventura ao cargo de deputado federal rendeu apenas 15.435 votos neste pleito.

Silvania Barbosa
é vereadora por Maceió e está em seu quarto mandato legislativo. É mãe da Samea e de Gerônimo, fruto de seu casamento com o deputado estadual, Marcos Barbosa. Seu reduto eleitoral é na região Sul da capital. A conselheira de honra do CRB teve sua tentativa de embarcar pra Brasília enterrada com os 14.193 votos que conseguiu.

Eduardo Canuto é professor faixa preta 3° DAN de Kickboxing, modalidade pela qual se tornou Campeão Mundial na Categoria Supercruzador em 1997. Foi eleito vereador pela primeira vez em 2004 e em 2020 se reelegeu para o seu quarto mandato. Canuto encerrou as pretensões à Câmara Federal com 10.270 votos.

Mesmo sendo sobrinho do ex-prefeito da cidade de Marechal Deodoro, Danilo Dâmaso (falecido em 2012), e filho da ex-prefeita de Coqueiro Seco, Decele Dâmaso, Junior Dâmaso conseguiu herdar apenas 8.699 votos. A trajetória política forte de sua família nas duas cidades não surtiu o efeito desejado.

O candidato Josan Leite (Patriotas), que concorreu às eleições no primeiro turno em Maceió em 2020, terminou o pleito em quarto lugar, com 23.925. Agora, na sua candidatura a deputado federal, alcançou apenas 5.697 votos.

O insistente Ildo Rafael é um caso à parte. Conhecido pelo programa de Rádio Show da Manhã, onde, por décadas, realizava ações sociais, foi derrotado em 1998 na disputa de uma vaga à Câmara Federal. Na eleição que disputou ao Senado, em 2002, pastor Ildo Rafael arrancou das urnas mais de 100 mil votos. Em 2004, sonhou ser prefeito de Maceió. Ficou ainda como suplente de vereador em 2006, 2010, 2014 e 2016. Exibindo uma perseverança admirável, conseguiu ter 5.512 votos na sua mais recente tentativa de chegar ao Congresso Nacional.

O vereador Alan Balbino, primeiro suplente de sua coligação nas últimas eleições, ocupou a cadeira de seu colega de partido em maio de 2021. O experiente vereador estava há dez anos sem mandato na casa que já presidiu. Arriscou-se à vaga na Câmara Federal, mas teve apenas 3.334 votos.

O experiente cardiologista e cirurgião cardiovascular Cleber Costa de Oliveira, o Dr. Cleber, entrou para a vida política em 2010, ano em que disputou a eleição para deputado estadual, tendo ficado com a segunda suplência da coligação. Em 2012, foi eleito vereador por Maceió. Em 2016, concorreu novamente para vereador pelo PP, sendo eleito como suplente, o que possibilitou seu retorno à Câmara de Vereadores de Maceió para exercer o mandato em 2019-2020. Em 2021, volta à câmara eleito como suplente pelo PSB. Dr. Cleber encerrou o pleito de domingo com 4.778 votos a seu favor.

Ex-prefeito de Cajueiro e ex-presidente da Associação dos Municípios Alagoanos, o pecuarista Palmery Neto atingiu a marca 4.733 votos na sua aspiração em fazer parte da bancada alagoana em Brasília.

Régis Cavalcante
já exerceu o cargo de diretor de Jornalismo da TV Gazeta de Alagoas, foi vereador por Maceió, e deputado federal. Mas, apesar da sua larga experiência e simpatia, não conseguiu atingir mais que 2.417 votos para voltar à Câmara Federal.

Em 2014 e 2018, Dr. Hemerson Casado disputou uma das vagas para deputado federal, mas não foi eleito. O médico cardiologista portador de Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) tem dedicado sua vida aos estudos da doença. Dr. Hemerson Casado obteve desta vez apenas 2.327 votos.

Sobrinho do ex-governador Teotônio Vilela, Pedro Vilela foi eleito deputado federal em 2014 e cumpriu mandato. Em 2021 ficou apenas como suplente, assumindo a vaga deixada por JHC (PSB). Este ano, isso não poderá acontecer. Vilela terminou com 25.770 votos, quantidade bem menor do que na última eleição geral (37.203 votos).