Blog do Hayton

e outros casos” (2021) e "Frestas" v(2022).

Que chapéus usaremos em 2025?

26/12/2024 08h08
Que chapéus usaremos em 2025?

Se você é curioso sobre o mundo publicitário e sua ligação com a psicologia, já deve ter ouvido falar de Carl Gustav Jung. No início do século passado, este suíço dividia cervejas, fondue e ideias com o austríaco Sigmund Freud – antes de se tornarem desafetos cordiais. Além de ser um dos pais da psicanálise, Jung deixou teses que transcenderam os divãs e hoje circulam por campanhas publicitárias, testes de personalidade e até conversas do RH das empresas.

Entre suas contribuições mais instigantes está a teoria dos arquétipos: padrões universais de comportamento e emoção que atravessam culturas e eras. Esses moldes revelam como nos posicionamos no mundo e fazem parte do inconsciente coletivo – aquele lugar onde desejos e medos se misturam como um armário desorganizado, bagunçado ainda mais pelas redes sociais.

Não é à toa que os arquétipos são hoje ferramentas indispensáveis para quem quer vender mais, seja uma bebida, um hambúrguer ou um perfume. Quem nunca associou um carro à potência ou uma caneta de luxo ao sucesso? Pior: o cigarro com a ideia de bravura, coragem e virilidade. Tudo orquestrado para cutucar emoções escondidas.

Mas será que podemos nos resumir a um único arquétipo? Claro que não. Somos criaturas multifacetadas, tão dinâmicas quanto as pinceladas de Picasso em “Mulher com Chapéu”. Cada um de nós carrega um padrão dominante e outros secundários, como uma coleção de chapéus que escolhemos usar (ou esconder) conforme o momento.

Aqui está uma dúzia desses “chapéus” que podemos experimentar – ou já usamos sem perceber:

O Amante

É aquele que vê poesia em tudo. Fotografa flores no trânsito, escreve versos em guardanapos e chora com comerciais apelativos. Valoriza conexões emocionais e busca ser admirado. Mas quando exagera, corre o risco de perder a própria essência tentando agradar a todos.

O Criador

Sempre tem uma ideia nova na manga: "E se fizéssemos isso de outro jeito?". Seu entusiasmo é contagiante, mas nem sempre termina o que começa. Tão obcecado buscando o ideal, esquece de celebrar o que já é bom.

O Explorador

Nômade por natureza, detesta rotina e vive buscando novos horizontes. É aquele que pede demissão numa preguiçosa segunda-feira para abrir uma pousada na praia – mesmo sem planejar. Seu amor pela liberdade é inspirador, mas pode levar a escolhas impulsivas (e boletos atrasados, claro).

O Governante

É líder onde quer que esteja, seja na reunião de trabalho ou na pelada no fim de semana. Precisa ter tudo sob controle, mas sua obsessão por poder pode afastar aliados, especialmente quando ignora outras opiniões para impor o próprio método.

O Herói

Desafia limites, enfrenta medos e inspira os outros com sua coragem. É o tipo que acorda às 5h para correr ou se oferece para descascar um abacaxi de terceiros. No entanto, sua impulsividade pode levá-lo a abraçar causas que não entende – e depois se perguntar onde foi que se meteu.

O Inocente

Com a fé de quem acredita que o sol sempre nasce mais bonito no dia seguinte, prefere crer que uma hora tudo vai se resolver, mesmo diante de um problemão. É gentil e evita conflitos, mas esquece que, para mudar a maré, é preciso remar. Muito!

O Mago

Fascinado por reflexões, transforma desafios em aprendizados e sempre encontra um "lado bom" no caos. No entanto, sua obsessão por questões profundas pode isolá-lo, fazendo com que os outros o rotulem como alguém que "viaja demais".

O Órfão

Empático, cativa aliados ao compartilhar histórias de superação. Mas sua busca constante por apoio externo pode paralisá-lo em momentos decisivos, pois não consegue dar um passo sem a validação alheia.

O Prestativo

Sempre disposto a ajudar, mesmo às custas do próprio descanso. Pequenos gestos são a sua marca, mas sua necessidade de reconhecimento pode trazer frustração.

O Rebelde

Questiona padrões e inspira mudanças radicais. Mas sua ousadia pode se tornar imprudência quando deixa a paixão falar mais alto que a razão.

O SábioAma o conhecimento e tem sempre uma opinião bem fundamentada. Contudo, seu perfeccionismo intelectual muitas vezes o desconecta da realidade, perdendo o timing por estar “pesquisando só mais um pouco”.

O Tolo

Com humor afiado, desconstrói tensões e arranca gargalhadas. Porém, quando não percebe o limite, transforma momentos sérios em piadas fora de hora, correndo o risco de parecer insensível.

E você, com quais “chapéus” se vê na virada do Ano Novo? Se acha que três não bastam, não se preocupe. Somos tanto aquilo que vemos quanto o que o mundo reflete de volta, como espelhos com várias faces.

Talvez o segredo esteja justamente em aceitar esses reflexos, dinâmicos e distorcidos, sempre prontos a surpreender – inclusive a nós mesmos.

Que em 2025 cada um de nós encontre os chapéus que mais nos desafiam e nos completam. E que a gente saiba a hora de trocá-los, claro.