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Após consumir carne de morcegos

Surto misterioso mata mais de 50 pessoas na República do Congo e preocupa autoridades de saúde

Por Redação com agências 26/02/2025 14h02
Surto misterioso mata mais de 50 pessoas na República do Congo e preocupa autoridades de saúde

Uma doença ainda desconhecida causou a morte de mais de 50 pessoas na República Democrática do Congo (RDC), conforme relatado por médicos e autoridades sanitárias globais. A rapidez com que as vítimas sucumbem à doença é alarmante, com o intervalo entre o início dos sintomas e a morte geralmente não ultrapassando 48 horas. "Isso é o que realmente preocupa", afirmou Serge Ngalebato, diretor médico do Hospital Bikoro, que serve como centro regional de monitoramento.

O surto teve início na cidade de Boloko, onde três crianças, após consumir um morcego, desenvolveram sintomas graves e morreram dentro de dois dias. A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou que o caso inicial foi caracterizado por febre hemorrágica, uma condição frequentemente associada a vírus transmitidos por animais.

Em diversas regiões da África, a transmissão de doenças de animais para humanos, também conhecida como zoonose, é uma preocupação crescente. De acordo com a OMS, o número de surtos desse tipo aumentou em mais de 60% na última década.

O surto mais recente, que começou em 21 de janeiro, já contabilizou 419 casos de infecção, incluindo 53 mortes confirmadas. Em 9 de fevereiro, um segundo surto foi registrado na cidade de Bomate, e amostras de 13 casos suspeitos foram enviadas para testes no Instituto Nacional de Pesquisa Biomédica, localizado em Kinshasa, a capital do país.

Os exames descartaram doenças como o Ebola e outras febres hemorrágicas, mas algumas amostras testaram positivo para malária. As investigações continuam em busca da origem e da natureza da doença.

A transmissão de doenças por meio de consumo de carne de animais selvagens é comum em várias regiões da África. Morcegos, chimpanzés, ratos, cobras e até porco-espinhos são consumidos pelas populações locais, especialmente nas áreas da Bacia do Congo, onde cerca de cinco milhões de toneladas de carne de animais selvagens são consumidas anualmente. Essa prática é motivada pela escassez de proteína animal nos mercados locais, devido à falta de rebanhos e à baixa oferta de carne.

Especialistas alertam para os riscos de comer carne de animais silvestres, um fator que pode contribuir para o aumento de surtos de doenças desconhecidas e potencialmente fatais. O caso na RDC é um lembrete alarmante da relação entre as práticas alimentares locais e a disseminação de doenças infecciosas.

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